De certo ponto, até concordo um pouco quando a autora diz que as mulheres se sentem desejáveis mesmo "fugindo" dos padrões de beleza. Mas o problema é a maneira de demonstrar essa "autoestima" elevada na hora de dançar; elas perdem toda e qualquer sensualidade e se tornam completamente vulgares.
Uma das partes que mais me irritou foi a letra da música da Thati Quebra Barraco, quando ela fala "derramar seu líquido do amor". O que? Amor? Como elas (funkeiras) que defendem tanto esse direito de liberdade sexual e poder dar para todos os caras que quiserem podem citar a palavra amor? Amor vai muito além de sexo! Amor é dedicação, convivência, é conhecer os piores defeitos de uma pessoa e ainda assim admira-la e querer estar com ela dia após dia. Quer fazer funk? Tenha um mínimo de bom senso . Então não vem com esse "liquido do amor" e sim "liquido do prazer. Ok?
Bem, abaixo vou colocar a reportagem inteira para que cada um possa tirar sua próprias conclusões:
O Funk é Feminista
Parte das militantes do movimento feminista, porém, prefere não reconhecer o funk e manifestações culturais menos formais como marca da entrada do feminismo na sociedade. No funk, há a crítica de que as músicas apresentam as mulheres como meros objetos sexuais (um lugar de subordinação do qual as feministas lutaram para nos retirar). Mas é preciso admitir os apelos de liberdade sexual da juventude como uma consequência positiva do feminismo.
Valorizar essa liberdade é também um gesto político. Para isso, devemos pensar no feminismo não como um clube exclusivo ao qual se tem acesso por tortuosos caminhos institucionais (quem vende o título deste clube? Onde entregam a carteirinha?), mas como aquilo que o inspirou desde o começo: ser um movimento plural, sem hierarquia, dogmas, controle ou estruturas centralizadas, que não defende uma verdade, mas está em permanente construção de uma agenda em evolução. Assim, devemos mais é comemorar que a pauta da liberdade sexual tenha chegado ao funk – no que se espera que seja um permanente processo de expansão desde as primeiras reivindicações do movimento feminista.
Tudo começou no século 18, quando Olimpes de Gouges, na França, e Mary Wollstonecraft, na Inglaterra, passaram a lutar por direitos civis para as mulheres. A partir da atuação das inglesas, o voto feminino foi conquistado no século 19. Num salto histórico, chegamos aos anos 1950/1960/1970 e à chamada “segunda onda do movimento feminista”. Foi quando entraram em pauta exigências de liberdade em todos os campos da vida social. As bandeiras de luta chegam, então, a temas até aquele período restritos à vida privada, como o direito ao prazer sexual. São campanhas que se expandiram do direito ao orgasmo ao questionamento do papel de dona de casa, e que culminaram nas bandeiras de liberdade individual, hoje cantadas também pelos grupos femininos do funk.
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